Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Entregrades

 

 

 

 

 

Ola amigos!
Há dias, no meio daqueles momentos em que ando perdido no meio de nada, dei de caras com um blog que me prendeu à atenção.

Surge de um projecto associado ao Semanário "Sol" com um desafio colocado a um jornalista , Pedro Prostes de entrevistar pessoas que estão em reclusão. Com este projecto nasceu um blog , "Entregrades" (http://sol.sapo.pt/Blogs/pprostes/default.aspx), e segundo o seu autor era claro que "iria ter pela frente casos dramáticos de vida, que iria lidar com realidades complexas e etiquetadas". Mas talvez por isso é impossível ficar indiferente.

E porque desejo partilhar convosco, abaixo deixo-vos um post colocado no Entregrades e que reflecte sobre uma vida de um recluso, uma daquelas pessoas que muitas vezes nós falamos como número e não como ser com sentimentos, desejos, vida...

Aqui fica:

A história de Joaquim (nome fictício) é a de alguém que, apesar de um pesado passado criminal, conseguiu regenerar-se para nove anos depois a burocracia o chamar de novo à prisão. Não seria tão grave se não fosse um exemplo de vários outros casos que ainda sucedem no país.
Condenado em 1984 por uma série de furtos e roubos envolvendo assaltos à mão armada, Joaquim viria a sair da cadeia 10 anos depois, para meses mais tarde ser castigado com três anos de prisão por envolvimento num negócio de tráfico de droga.
Em 1998, estava de novo em liberdade, mas avisado de que um dia seria notificado a regressar à cadeia para cumprir um ano, seis meses e 27 dias de prisão, relativos à revogação da sua condicional – ou seja, pelo facto de este último crime (ligado ao negócio de droga) ter sido cometido quando estava em liberdade condicional.
Nos nove anos que entretanto se passaram, mudou-se para o Algarve, casou com uma professora do ensino secundário [Joaquim pediu o anonimato por a família da mulher desconhecer o seu passado criminal] e teve quatro filhas – a mais pequena tem um ano e a mais velha seis.
Joaquim não só viveu estes anos à margem do crime, como conseguiu a plena reinserção na sociedade, comprovada por documentos de empresas onde trabalhou que o dão como um funcionário exemplar.
Em Fevereiro deste ano, recebeu um telefonema do patrão. Era avisado de que «tinham aparecido uns senhores na empresa» a perguntar por ele. «O meu patrão desconhecia o meu passado, e eles também não disseram que eram da Judiciária. Mas eu soube logo. No fundo, há muito que os esperava».
Joaquim autorizou o patrão a dar--lhes o seu número de telefone.
«Lá me ligaram. Vinham preparados com uma história, mas interrompi-os. ‘Deixem-se disso’ – disse-lhes –, ‘porque, provavelmente, ainda vocês eram uns miúdos e já eu andava com problemas com a Judiciária. Escusam de perder tempo, porque eu sei que isto tem a ver com a minha condicional, pela simples razão de que não tenho mais nada com a polícia. Estão a executar um mandado, mas não me vão levar preso. Eu entrego-me’».
A 20 de Março último despediu-se da mulher e dos filhos e meteu-se no comboio rumo a Lisboa para ir ter com os agentes da Judiciária ao Centro Comercial Colombo.
«Só posso dizer que os agentes foram impecáveis. Pedi--lhes que me trouxessem para aqui, para poder ficar mais perto da família. Não só o fizeram, como se ofereceram para testemunhar a meu favor, se um dia fosse preciso».
Joaquim viu-se fechado em Pinheiro da Cruz, em consequência de um crime de que fora acusado em 1994. Não que não estivesse preparado para este revés na sua vida – «conhecia casos em que a burocracia tinha feito coisas semelhantes» –, mas confessa que sempre esperou que, uma vez detido, depressa chegasse à fala com o juiz de execução das penas para poder explicar a sua situação.
«Nem é bem revolta o que sinto, mas impotência por não me poder defender. Mal cheguei aqui, inscrevi-me para falar com o juiz, e fiquei com o número 42 deste ano. Mas, de 2006, ainda há meio ano em lista de espera».
É nítida a ansiedade de Joaquim em provar que está «regenerado». Interroga-se sobre o que a sociedade pode ganhar em ter alguém como ele na cadeia.
«Já que, mesmo depois de tantos anos, ainda acham que tenho de pagar por alguma coisa, por que não me põem num regime em que só tenha de dormir na prisão? Ao menos era uma maneira de poder manter o meu trabalho».

"Preso pela burocracia" é o título do post, com toda a razão de ser.... Fica a partilha e a reflexão.

Façam o favor de ser felizes e de fazer alguém feliz!

 

 

publicado por docasnasasasdodesejo às 00:09
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