Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Quebrar o Estigma do Manicómio

 

 

 

 

 

 

Olá amigos!
Esta semana sigo a linha da "diferença". 
Hoje decidi falar-vos de um livro que li recentemente "O Manicómio Dr. Heribaldo Raposo", escrito por um psiquiatra do Hospital Júlio de Matos: Pedro Afonso.

Foi um livro que me seduziu pelo nome e pela temática, e devo dizer que não me desiludiu.

 

A falta de poder reinvidicativo dos doentes mentais, que carregam um estigma e sofrimento é o grande foco deste livro, ficção baseada numa realidade muito próxima, vivida até à alguns anos nos hospitais psiquiátricos. 

Num momento da actualidade portuguesa em que se equaciona o encerramento de alguns hospitais psiquiátricos e a consequente desinstitucionalização dos doentes através da sua integração em unidades especiais inseridas nos hospitais centrais e de uma cooperação mais próxima das suas famílias, neste romance é bem patente a condição do doente mental e os medos que a sociedade em relação a ele ainda encerra.

Em "O Manicómio Dr. Heribaldo Raposo" , o dia a dia de um hospital psiquiátrico é retratado de forma algo cruel, mas abrem-se as portas a uma realidade pouco conhecida, gerando assim caminho para a  reflexão.

"Margarida, a personagem principal, é uma jovem psiquiatra do Manicómio Doutor Heribaldo Raposo, um hospital psiquiátrico da capital onde quase tudo está mal e os doentes enfrentam, todos os dias, condições sub-humanas, devido à inveja e à incompetência do director de serviço e de alguns dos outros médicos.

Inconformada com a negligência, os maus-trato, o abandono e desistência dos doentes por parte de médicos e enfermeiros do hospital em que trabalha, Margarida e um outro colega, decidem iniciar uma luta solitária contra tudo e todos em prol da melhoria do bem-estar dos seus pacientes."

É uma verdadeira luta contra um sistema adverso recheado de regras obsoletas e viciadas

 

Pedro Afonso, numa entrevista, afirmou que  “nós temos que sofrer um bocadinho com o doente para o podermos compreender, temos de entrar um pouco na vida do doente, sofrer com ele e regressar depois ao papel de médico”. Desejo de fundo que seja isto que aconteça não só com ele, mas com todos os médicos e todas as pessoas que trabalham na saúde.

"A obrigação de não esquecermos os doentes mentais é de todos nós e de toda a sociedade, já que todos temos uma palavra a dizer na construção de um mundo melhor e mais fraterno", reafirmou o psiquiatra.

Actualmente, segundo o Plano Nacional de Saúde 2004/2010, estima-se que a prevalência de perturbações psiquiátricas na população geral ronda os 30%, ou seja, uma em cada três pessoas já sofreu ou pode vir a sofrer de perturbações psiquiátricas independentemente de estas virem ou não a tornar-se crónicas. Destas trinta por cento, 12 % tem doenças graves e crónicas.

Mas, para Pedro Afonso, não é apenas o sofrimento dos doentes psiquiátricos que deve ser alvo de atenção, "quer do estado quer da sociedade".

Também o sofrimento das famílias deve ser combatido, já que uma "doença do foro psiquiátrico mina uma família da mesma forma que os problemas das dependências de drogas ou do álcool".

"O Manicómio Dr. Heribaldo Ribeiro" conta a história de um doente internado num hospital psiquiátrico na década de 60 do século XX quando os problemas psiquiátricos eram encarados de forma "completamente diferente", disse o autor.

Aborda ainda um "medo comum ao ser humano que é o receio de nos passarmos para o outro lado", mostrando que "qualquer ser humano pode vir a padecer delas".

 

E é essa humanidade, essa noção clara de que a doença mental pode estar mais próxima do que julgamos, que merece uma leitura com alma deste livro, reflectindo e interpelando todos os nossos valores e crenças. Já é tempo de informar, alterar e quebrar de uma vez por todas com os mitos e estigmas da doença mental.

Façam o favor de ser felizes e de fazer alguém feliz!

 

Cartaz da exposição “Interpretações: O Manicómio Dr. Heribaldo Raposo”

 

publicado por docasnasasasdodesejo às 00:21
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1 comentário:
De katia angela laura a 24 de Março de 2009 às 17:52
boa tarde, faço tratamento psiquiatrico, estou meio perdida,pois as vezes acho que o mendo etá contra mim, gostria de saber se existe uma lei que ampara nós doentes, quando somos ameaçados. eu trabalho e sou as vezes descriminada, não penso em brigar mas sofro quando chega ao meu limite que é pouco penso e ja tentei muitas vezes me matar. pq eu me sinto com tanta raiva de mim mesma , das pessoas não gostarem de mim ou até mesmo invebtar coisas sobre mim tenho raiva ódio de mim não gosto de vivernunca vivi pra mim. obrigado preciso de ajuda como enfrentar essas pessoas

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