Sábado, 28 de Abril de 2007

Caminhos e Descobertas

 

 

 

 

 

Olá amigos!

Há coisas na vida, que não se explicam.. e esta é uma delas..

Quem me conhece sabe que eu sempre digo que nada acontece por acaso.E é nisso que acredito.. e este é um dos pequenos exemplos.

Ao relembrar o autor que citei ontem, Joseph Campbell, decidi procurar algo sobre a sua vida, e encontrei alguém que marcou a vida de muita gente!

 Ele fui um jovem americano que tem a sua grande descoberta aos 5 anos. Joseph fui com o pai em um show da companhia de Buffalo Bill, o lendário explorador de fronteiras americano. Era um espectáculo tradicional. Uma vez por ano, cavaleiros, atiradores e guerreiros índios transformavam em uma pradaria o Madison Square Garden, em Nova York, e encenavam batalhas do Velho Oeste. Mas o que chamou a atenção de Joe não foram os heróis brancos, mas os peles-vermelhas. Ele ficou tão fascinado pelos indígenas que começou a ler tudo o que encontrava sobre eles. E assim foi por toda sua vida. De livro em livro, de história em história, de tribo em tribo, Joseph Campbell (1904-1987), transformou-se em um dos maiores estudiosos de mitos. Casou-se, viveu feliz e morreu. Fim da história.

Mas faltam alguns pormenores. Campbell, no seu livro “O Poder do Mito” resume em linguagem simples e directa todo seu pensamento sobre mitos. Faz analogias entre diferentes narrativas religiosas e fala sobre o mito, os heróis, as deusas e o sagrado no mundo de hoje. A ideia central do pensamento de Campbell é que os mesmos mitos estão por trás de todas as histórias. Eles apenas assumem roupagem diferente conforme a cultura local. Ou seja, todos os deuses são um só, apenas com máscaras diferentes. Todos os heróis são o mesmo, com várias faces.

 A fama veio apenas no final da vida, mas Campbell já havia publicado vários livros. Um deles, O “Herói de Mil Faces”, serviu de inspiração para George Lucas, o criador de Guerra nas Estrelas. "Ele é realmente um homem maravilhoso e tornou-se meu Yoda (o personagem sábio de Guerra nas Estrelas)", disse o cineasta no discurso em homenagem a Campbell, em 1985, ainda em vida, pois ele faleceria em 1987.

Lucas conta que passou anos tentando escrever um conto de fadas moderno. Pesquisou heróis clássicos e modernos, leu muito, mas só nas palavras de Campbell achou o foco que procurava. Foi ali, disse o cineasta, que entendeu a estrutura mítica por trás das histórias de heróis e conseguiu escrever sua saga estelar.

Segundo Campbell, em toda narrativa, de literatura ou religião, o herói cumpre uma mesma jornada: partida, preenchimento e regresso. Primeiro ele recebe um chamamento que não pode recusar. Em seguida, parte numa busca, ao longo da qual enfrenta inimigos e desafios que fazem com que passe por transformações. Quando cumpre sua tarefa, volta para dividir a dádiva recebida com seu povo. É o que faz o personagem de George Lucas, Luke Skywalker.

Em A Jornada do Herói, Campbell descreve como é o caminho até a dádiva, realização que ele chama de bem-aventurança. "Siga sua bem-aventurança até lá, onde há um profundo sentido do seu ser, lá onde seu corpo e sua alma querem ir. Quando você alcançar essa sensação, fique aí e não deixe ninguém arrancá-lo desse lugar. E portas se abrirão onde você nem sequer imaginava que pudesse haver algo."

Para Campbell, sempre que seguimos esse chamamento da alma, que buscamos o preenchimento, que saímos em busca do lugar onde nos sentimos inteiros, estamos tomando o caminho dos heróis. Mesmo que a escolha não pareça certa ou a mais feliz, seguir o chamado é a atitude correta a tomar, diz ele (leia texto abaixo). Senão, corremos o risco de um dia, em uma daquelas crises de maturidade, descobrir que encostamos nossa escada na parede errada. Parece auto-ajuda? Talvez, mas para Campbell há mais que palavras aí. Ele mesmo ouviu esse chamamento (no show de Buffalo Bill) e escolheu segui-lo. Mas o impulso inicial não basta para a vida toda. Ao longo da existência, outras decisões foram necessárias. E em muitas delas ele procurou a voz que chamava para a bem-aventurança. Ou seja, Joe também foi um herói genuíno.

Ainda jovem, estudava literatura medieval na Universidade de Columbia, em Nova York, com uma tese sobre as lendas do ciclo do rei Artur. O caminho era promissor. Mas eis que ele ganha uma bolsa de estudos para morar dois anos na Europa. E lá foi ele em um novo rumo: primeiro Paris, depois Munique, entre 1927 e 1929. O clima de vanguarda e boémia da Europa contrastava com a vida acadêmica nos Estados Unidos, e ali descobriu Thomas Mann, James Joyce, Carl Jung e Sigmund Freud. Dizia ele que esse encontro foi crucial para compreender que sonhos, artes e mitos falam sobre a mesma coisa. E que o estudo da mitologia seria muito melhor se ultrapassasse o mero circuito académico. Foi quando sua cabeça se “abriu” para outra dimensão do mito.

Retornou em 1929 para a Universidade de Columbia com novas ideias, mas seu orientador não quis saber daquela conversa de "minha mente se abriu". Sua bem-aventurança tinha um obstáculo pela frente. Aliás, dois: a Bolsa de Nova York havia acabado de quebrar e não havia trabalho.

Desiludido com a carreira académica, Campbell passou anos em crise, procurando emprego, tentando escrever um romance, depois viajando pelos Estados Unidos. Até que, sem rumo, enfiou-se em uma cabana no meio da floresta em Woodstock, onde passou anos lendo e escrevendo. Desenvolveu seu próprio método de estudo, que chamava de leitura orgânica. Funciona assim: se um autor diz algo a você, leia tudo o que ele escreveu e depois tudo o que essa leitura o inspirar. "Um livro leva a outro", dizia.

Aprofundou o estudo dos autores que tinha conhecido na Europa e saiu do período de hibernação já com os conceitos que anos depois aparecem em seus livros.

Depois de tentativas frustradas de escrever contos e de sobreviver leccionando línguas, Campbell foi convidado para leccionar literatura comparada e mitologia na Faculdade Sarah Lawrence. Era uma faculdade para raparigas, em que os professores elaboravam os cursos conforme o interesse de cada aluna. Campbell foi obrigado a ver a mitologia de um outro ponto de vista, o feminino. E trazer os mitos para a vida quotidiana. Um desafio e tanto, que ele venceu estudando. Ele foi professor da Faculdade Sarah Lawrence por 38 anos.

Na faculdade, Campbell apaixonou-se por uma aluna, Jean Erdman. Quando ela deixou a faculdade para viajar pelo mundo com a família, ele lhe deu um livro, esperando que ela o lesse na viagem e, na volta, tivesse ao menos um motivo para reencontrá-lo. Deu certo. Os dois se casaram em 1938, assim que Jean retornou. Durante 50 anos de casamento, cada um construiu sua própria carreira (ela era bailarina), mas inspirado pelo trabalho do outro. Ele trouxe os mitos para as criações dela em dança. E ela o aproximou ainda mais do mundo das artes.

Campbell diz que, na linguagem mitológica, a mulher representa a totalidade do que pode ser conhecido - e o herói é aquele que vem para conhecer. "À medida que ele progride na lenta iniciação que é a vida, a forma da deusa vai sofrendo transformações: ela nunca será maior que ele próprio, embora possa sempre lhe prometer mais do que ele é capaz de compreender."

Mais tarde, começou a escrever “O Herói de Mil Faces”, um dos temas que leccionava. Demorou cinco anos nesse trabalho, mas o manuscrito foi rejeitado por duas editoras. Somente em 1949 conseguiu publicar a obra, que fez sucesso e deu o impulso inicial em sua carreira de escritor.

Agora é um velho sábio. Mas não daqueles que falam por metáforas, melhor que isso: ele explica as metáforas que todos os sábios usaram antes. Seguindo à risca a jornada do herói que ele mesmo criou, agora é hora de dividir suas conquistas com seu povo. "Seja em uma grande metrópole moderna, seja nas cavernas", diz Campbell, "viver é passar pelos mesmos estágios da infância à maturidade sexual, a transformação da dependência em responsabilidade, o casamento, a decadência física, a perda gradual das capacidades e a morte". Ou seja, as pessoas têm o mesmo corpo, as mesmas experiências corporais, os mesmos anseios. Por isso reagem às mesmas imagens, aos mesmos mitos.

Ele dá o exemplo da imagem da águia e da serpente, presente em várias civilizações. Ela representa o conflito entre a serpente, ligada à terra, e a águia, cujo voo representa o lado espiritual. Quando elas se fundem, temos o dragão, ou a serpente com asas, que encontramos nos mitos de quase todas as religiões, como o dragão celestial dos chineses e a serpente emplumada dos astecas.

E para que serve saber isso tudo? Para entender a própria existência. Ao entender a estrutura mítica, diz Campbell, o indivíduo tem uma chave para entender sua sociedade, outros povos e a própria vida - não como um acontecimento isolado, mas sim como uma vivência que segue os mesmos rituais de gerações passadas e futuras. A jornada do herói é a jornada de cada um.

Conceito central no pensamento de Campbell, a bem-aventurança, diz ele, está naquilo que nos enche de satisfação e entusiasmo e dá aquele sentimento de estar realmente vivo. E essa busca não é o mesmo que ir atrás de felicidade. Pelo contrário: a jornada tem sofrimento, armadilhas e monstros terríveis. Mas é o que vai fazer, enfim, o herói completar sua transformação para encontrar a dádiva final. Ulisses, o herói da Odisseia, não sai em uma jornada de aventuras porque é a opção que lhe parece a mais feliz. Pelo contrário, ele só parte porque não consegue evitar - ele até finge estar louco para ver se escapa. No final não consegue evitar o chamamento, deixa a vida feliz e a amada Penélope para sair em uma longa viagem. Só depois de enfrentar ciclopes, sereias e outros tantos perigos e tentações volta vitorioso para os braços da fiel Penélope.

E aí encontra a felicidade. Portanto, o caminho é duro, todos sabemos, por vezes leva voltas incríveis, em que parece não estarmos no trilho certo. Mas a memória e a noss capacidade de superação levam-nos a bom porto! À profunda felicidade!

Amigos, desculpem este post tão longo, mas não resisti a partilhar a minha descoberta!

Tenham um bom fim de semana!

Façam o favor de ser felizes!

publicado por docasnasasasdodesejo às 08:00
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