Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Referendo ao Aborto - realidade difusa

 

A data da efectivação do referendo ao aborto aproxima-se, e sempre que penso nisso me parece uma realidade difusa, daí ter escolhido esta foto. A sensação que me dá é que falamos de algo muito pouco transparente, em que as visões dependem muito da realidade de quem as vive e de onde as vive. Daí que decidi opinar sobre este assunto polémico e deixá-lo aqui na perspectiva de poder pensar em conjunto.
Primeiro que tudo, parece que ninguém tem noção do que se vai referendar a 11 de Fevereiro. A pergunta colocada é “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”
Não iremos votar a liberalização do aborto, que em minha opinião seria um absurdo e aí sim, seria contra.
Mas, depois de noutras alturas ter sido contra uma certa abertura, acho, que a evolução da nossa sociedade e as condições que são proporcionadas aos cidadãos levam-me a considerar que é necessário votar sim. Isto porque, a educação sexual nas escolas não funciona nem avança, o planeamento familiar só chega a alguns, os mais desfavorecidos e em condições sociais mais degradadas nem chegam aos meios que se dizem de apoio. E assim, vamos assistindo ao nascimento de alguns que nunca foram desejados nem cuidados, e por outro lado os tais mais desfavorecidos é que recorrem a abortos clandestinos, caindo na humilhação e sofrimento, sabe Deus em que situações. E depois ainda assistimos a condenações, ou então o Estado assobia para o ar e não condena nem aplica a lei existente.
Por isso, e tendo em conta que não vamos votar a liberalização , mas sim que sejam despenalizadas as mulheres que recorrem à interrupção voluntária da gravidez nas primeiras dez semanas, desde que o façam por sua vontade e em condições dignas, eu voto sim. Porque também em minha opinião ninguém fará um aborto porque lhe apetece, e todos somos seres sociais, emocionais e espirituais e a realidade de cada um é distinta da do outro, considero que cabe acima de tudo à consciência de cada uma fazê-lo ou não. E porque acredito que não é uma decisão tomada de ânimo leve, devo em consciência deixar essa decisão a cada mulher nessa situação.

 

publicado por docasnasasasdodesejo às 13:54
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6 comentários:
De FSantos a 9 de Fevereiro de 2007 às 15:33
A maioria das pessoas julga que o direito à vida é um direito inalienável, como se isso se tratasse de uma redoma intransponível: basta declará-lo para ele existir e ser intocável. Não penso assim. Se um deus louco achar por bem fazer escolher entre duas vidas, suponhamos a um futuro avô escolher entre deixar nascer o bebé da sua filha ou o de uma outra mulher, qual seria a sua escolha? Podem argumentar que aqui ele não tinha escolha, mas tem, só que uma seria mais difícil e traria mais consequências que a outra. Não pretendo com isto divagar ou levar o assunto para outras esferas, apenas trazer um elemento de relatividade, o qual creio permeia todas as situações mais ou menos dramáticas que concerteza acompanham esta realidade.
De Maria José Jardim a 9 de Fevereiro de 2007 às 21:08
Olá Ricardo! Parabéns pela inciativa, coragem e abertura de espírito. Esta é uma forma interessante de comunicar e partilhar opiniões, mesmo quando essas opiniões versam assuntos tão polémicos como o aborto. Como mulher e como cidadã sinto uma dupla responsabilidade. Já hesitei sobre as duas opções e já julguei ter chegado a uma decisão sensata mas neste momento o que me interessa é seguir o meu coração, e ele diz que NÃO. Não à desresponsabilização, pois é disso que se trata, uma vez que, segundo aquilo que é citado, nenhuma mulher foi presa em Portugal pela prática do aborto e por isso mesmo não se pode falar em despenalização.Aquilo que se trata é de liberalizar o aborto, desde que seja até as 10 semanas. Haverá um prazo de validade para um ser em formação? Pelo vistos a resposta foi encontrada por algum legislador bem informado. Mas até a própria definição do prazo é uma faca de 2 gumes, pois se o Estado não tiver capacidade de resposta dentro desse limite de tempo, a decisão que a mulher tomou deixa de ter validade.
Por outro lado, precisamente por não achar que Portugal tenha evoluído o suficiente, ou criado as tão desejadas condições para que possamos ser cidadãos conscientes, não me parece ser esta a melhor altura para voltar a este debate.
Efectivamente ( e infelizmente) temos ainda um longo caminho a percorrer. Temos que investir na educação, dentro e fora da escola, temos que criar estruturas dentro dos bairros sociais que funcionem como suporte para as largas centenas de pessoas desfavorecidas e pouco esclarecidas. Desde a distribuição de métodos contraceptivos de uma forma gratuita, à distribuição também ela gratuita da pílula do dia seguinte, estas são algumas opções que me parecem viáveis e economicamente mais vantajosas para o Estado e evitará que pessoas que aguardam uma operação há largas dezenas de meses vejam a mesma ser adiada devido a um assunto de saúde mais urgente, leia-se um aborto dezenas de meses vejam a mesma adiada porque surgiu uma urgência, leia-se um aborto. Não o posso aceitar e não o quero aceitar. E não o quero fazer não por falsos moralismos, ou por estar a julgar condutas alheias, mas simplesmente porque acho que ainda não esgotamos todas as opções, e por acho que temos um dever moral por essas pessoas ditas ignorantes ou mal informadas, já para não falar para com os bebés que às 10 semanas tem um coração palpitante e quiçá com um designio a cumprir. Não nos esqueçamos que são os ditos indesejados, crianças não planeadas e ansiadas que constituem a grande maioria da população. Se os meus avós tiveram 12 filhos, sem condições económicas, e a todos conseguiram criar e amar, será que a nossa sociedade dita civilizada e tecnologicamente evoluída, não encontra espaço ou amor para criar mais uma criança. Não vamos alimentar o facilitismo, egoísmo e as falsas justificaçãoes. Vamos sim mudar de paradigma, vamos sim nos libertar das escravaturas da tecnologia e vamos voltar a pensar no simples, no verdadeiro e no mais importante.
Parece que de repente nos apercebemos que estamos a causar a destruição do nosso proprio planeta e disso há provas científicas, de há longa data. Mas a continuarmos assim vamos acabar com a nossa capacidade de sermos humanos e de amar. Amar INCONDICIONALMENTE.
Desculpa ter-me alongado tanto, mas dificilmente se consegue resumir uma questão tão complexa a 2 linhas.
Acima de tudo dou graças a Deus por estar num país democrático onde cada um pode exprimir a sua opinião livremente, e onde cada um pode exercer os seus direitos, mas não nos esqueçamos daqueles que não se podem defender.
Beijo grande e continua a Fazer caminho, porque assim é mais fácil para os outros chegarem ao mesmo destino.
De Andreia a 13 de Fevereiro de 2007 às 20:36
Rick, é com imenso prazer que visito este teu espaço que sei vais querer que lhe chamemos nosso.
Ao chegar aqui hoje hesitei onde inserir um comentário. Por mais que gostasse de comentar “Babel”, ainda não vi. E foi perante a opinião da nossa mui estimada amiga que comecei a teclar.
Correndo o risco de chegar atrasada à discussão começo por dizer que votei sim. Dizem-me que o sim ganhou. Não me parece. Perdemos todos, mais uma vez, perante os valores da abstenção. Continuamos a viver num pais desinteressante e desinteressado.
Votei sim sem a mais pequena hesitação. Não tive dúvidas quanto ao sentido do meu voto em 1998 e não tive dúvidas agora. E relembro 98 porque depois dessa data conheci alguns casos, todos bem próximos, de abortos espontâneos. Todos me entristeceram porque todos eram desejados. Mas foi pelos que não o são que votei sim.
Zezinha, quando dizes que nunca uma mulher foi condenada em Portugal pelo crime de aborto estás certa apenas e só porque em Portugal as leis fazem-se no papel para justificar os salários dos nossos legisladores e não para se cumprirem. Mas a lei existe. Diz o artigo 140 do Codigo Penal, no n°2 que “quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar, é punido com pena de prisão até 3 anos” e no n° 3 “A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.”E eu não quero viver num país que chama criminosa à mulher que decidiu que não quer ter um filho.
Ainda que as condenações não tenham existido todos nos lembramos dos julgamentos de Aveiro. Que o veredicto tenha sido a não condenação não nos deve envergonhar menos e os métodos utilizados na caça às mulheres infractoras não nos deve deixar indiferentes. E não ignoremos o vexame a que foram sujeitas não só essas mulheres como os seus companheiros.
Quanto à altura para relançar o debate pergunto: se 33 anos depois de Abril a nossa democracia não está preparada para este tema então está preparada para quê? Até quando vamos continuar a utilizar como desculpa a juventude da nossa democracia? Com 33 anos está bem crescidinha e é bom que se comece a comportar como tal.
Também eu gostaria de viver num país onde as opções que referes fossem a regra. Mas não podemos continuar a apontar o dedo enquanto esse dia não chega.
Votei sim à despenalização e votei sim sobretudo à liberdade de escolha. Porque é tambem disso que se trata. De poder escolher não ter um filho uma vez falhadas todas as outras opções. Porque essa gravidez interrompida pode não ser o designio por cumprir como dizes mas o infortúnio latente.
Amiga, para finalizar resta-me dizer que embora não concordando contigo, estou com Voltaire quando disse “posso não concordar com o que dizes mas defenderei até a morte o teu direito de o dizer”.
E porque a liberdade e a amizade são valores que muito prezo encho-me de orgulho ao felicitar-te, Rick, por este cantinho que pões ao nosso dispôr para continuarmos a partilhar as nossas vidas. E que da minha vida faça parte alguém como tu faz de mim uma sortuda. Beijinhos
De R a 10 de Fevereiro de 2007 às 00:45
Olá amiga, obrigado desde já pelo comentário, por te estenderes, por expores o que pensas e sentes. Também eu neste assunto ando num vaivém constante de opinião e por isso percebo e concordo com muito do que dizes e fundamentas. Todavia, é por achar que hoje a sociedade é mais demolidora, qual rolo compressor que estamos a construir, que o espaço para os "ditos indesejados" é cada vez menor. É claro que conhecendo-me como me conheces, sabes que sou um optimista, que acredito sempre ser possível, acredito na vida,no amor, nas infinitas possibilidades do ser humano, mas também sou o primeiro a dizer que não apontarei o dedo a quem optar pela dita interrupção da gravidez, daí o meu voto pela consciência de cada um, mesmo sabendo que alguns, pouca ou nenhuma consciência têm. Importante, acho eu, é que acima de tudo as pessoas manifestem a sua opinião fundamentada na sua reflexão pessoal! Beijos grandes e td de bom!
De Andreia a 13 de Fevereiro de 2007 às 20:41
Amigo, sou novata nestas coisas o que me faz suspeitar que inseri o meu comentario na ordem errada. Parto do principio que não levas a mal e que sendo tu o ilustre proprietario desta casa iras fazendo as arrumaçoes necessarias. E como parece que te instalaste ha pouco tempo é normal que ainda haja coisas fora do sitio. Vou tentar ser vivita assidua.
De R a 14 de Fevereiro de 2007 às 00:42
Amiga, é claro q não me incomoda, nem me atrapalha, o facto de o teu comentário ter surgido na ordem errada. Sabes, como dizes, esta é minha casa, mas é uma casa q pretendo aberta aos amigos, àqueles q quiserem tb contribuir com qq coisa, àqueles q apenas admiram em silêncio, àqueles q poderão criticar algo..enfim e qt à casa arrumada, vou tentar mantê-la, mas haverá dias, como imaginarás em q eu tb n saberei resolver estas coisas da net e informática! Por isso,esta é enfim a nossa casa, para a qual vou tentar dar do meu melhor para a ir decorando dia após dia, com mais cor menos cor, mais luz menos luz, mas tudo e todos terão lugar, na perspectiva última de tentar contribuir para a tal sociedade mais interessada... Se calhar também este é um caminho, não achas?não acham?
Beijos grandes minha amiga, td de bom!

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