Domingo, 18 de Março de 2007

Paula Rego - Vanitas (II)

 

 

Ao expor mais uma das fotos do tríptico de Paula Rego "Vanitas", agora de forma faseada, começo por um dos quadros que o compõem, o do lado esquerdo.

E como prometido, na continuação do "post" anterior, vou continuar a citar o texto que acompanha esta exposição.

..."É já noite dentro quando, no espaço quase vazio duma grande mansão, o Sr. Gulbenkian conversa com um (a) artista, hóspede único e arrancado ao sono, sobre o seu amor à arte e aos museus e sobre os seus caprichos e escolhas de coleccionador.

"Terão os astros enviado o reconstrutor desta casa só para me forçar a meditar sobre a Vanitas inerente a toda a arte?"-interroga-se, no final, o narrador personagem deste conto. Passando por referências a pinturas da sua colecção, de Fantin-Latour a Ghirlandaio, Rubens, Velásquez, Rembrandt, Renoir e outros, a meditação do coleccionador insistira de facto na força viva das "naturezas mortas", na capacidade que tem a arte de superar a "face repelente, a bestialidade, a morte", o terror ou a fealdade que a natureza pode ter, no culto que dedicou ao feminino e que muitos dos quadros adquiridos denunciam, na sua frustração em nunca ter adquirido um Whistler tal como a de "nunca ter conseguido nem uma daquelas misteriosas naturezas mortas designadas por Vanitas.."

Ei-la então: Vanitas, 51, Avenue d'Iéna é o título do conto de Almeida Faria e Vanitas o do tríptico de Paula Rego, que a ele se refere.

Do encontro marcado com a arte na mansão parisiense do Sr. Gulbenkian, emergem texto e imagens num plano que se encena como próximo do onírico mas se preenche com muito concretas digressões sobre os objectos que "vivem na alma do coleccionador" tal como ela "permanece viva nos seus objectos". Dará esta simbiose o poder da redenção a quem faz tão seus os imperativos da vaidade e da propriedade? Pelo tríptico de Paula Rego passa esse pressentimento de que o mundo é um sonho ruim, mesmo no fausto; um mundo enfeitado e disfarçado pelo que nos distrai mas cruelmente óbvio nos sinais que nos dá a ler."

Este é o magnífico texto de Leonor Nazaré que nos situa nalgumas intenções e no contexto desta obra, "Vanitas" (2006) de Paula Rego. Voltarei para expõr em maior destaque as outras duas partes do tríptico.

Sejam felizes!

 

publicado por docasnasasasdodesejo às 15:07
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